Sua conscientização política

"Seria uma época de guerras cruéis em que novos césares surgiriam e em que uma elite de homens de aço, que não buscavam ganhos pessoais e felicidade, mas o cumprimento dos deveres para com a comunidade, tomaria o lugar dos democratas e dos humanitários" Hajo Holborn, explicando uma previsão de Oswald Spengler em A History of Modern Germany: 1840-1945; Princeton University Press, 1982. Página 658

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Uma breve apresentação a Alfred Roseberg (12/01/1893 – 16/10/1946) – por Alexander Jacob



Alexander Jacob
            Alfred Rosenberg nasceu em 1893 {12 de janeiro} em Reval[1] no Império Russo e estudou arquitetura no Instituto Politécnico de Riga onde obteve seu diploma em 1917. Em sua juventude ele leu com ávido interesse os trabalhos de Kant e dos idealistas alemães, assim como Schopenhauer, Nietzsche, Wagner e Houston Stewart Chamberlain. Mas foi a sua descoberta da filosofia indiana que serviu como a mais profunda inspiração de sua vida. Enquanto ele comenta sobre a primazia da vida contemplativa no pensamento indiano, “Quão longe nós estamos aqui de toda cobiça por poder e dinheiro, de toda rapacidade e intolerância, toda mesquinhez e arrogância.[2]

            Em 1918, Rosenberg emigrou para a Alemanha, a princípio em Berlim e então em Munique, onde ele encontrou Dietrich Eckart e contribuiu em sua revista Auf gut Deutsch. Foi através de Eckart que Rosenberg encontrou Hitler. Rosenberg tinha já em janeiro de 1919 se juntado ao NSDAP {o hoje conhecido partido nazista}, isto é, antes de Hitler, que se juntou somente em outubro daquele ano. Contudo, Rosenberg não era muito íntimo de Hitler como um assessor político, e era mais ou menos restrito para escritório editorial do jornal Völkischer Beobachter (Observador Nacionalista) para o qual contribuía com vários artigos. O Völkischer Beobachter foi o nome dado ao Münchener Beobachter quando este foi adquirido pela Sociedade Thule em agosto de 1919. Em dezembro de 1920, o jornal foi comprado pelo NSDAP e editado por Dietrich Eckart até sua morte em 1923, quando Rosenberg assumiu uma posição editorial.

Alfred Rosenberg

            Influenciado por ambas leituras de autores antissemitas e por sua experiência em primeira mão do envolvimento dos judeus na Revolução Russa, Rosenberg virou sua mente para a questão judaica já durante o  fim da Primeira Guerra Mundial. Em 1919, ele compôs o presente clássico estudo sobre os judeus[3]. Em 1929 ele instituiu uma ‘Kampfbund für deustsche Kultur’ (Liga Militante para Cultura Germânica) a qual durou até 1934. Os membros e apoiadores desta sociedade incluíam os editores Hugo Bruckmann e Julius Lehmann e líderes da Sociedade Wagner como Winifred Wagnerm a viúva de Houston Stewart Chamberlain, Eva, e o amigo de Richard Wagner, o Barão Hans von Wolzogen. O principal direcionamento da sociedade foi o combate ao modernismo em suas múltiplas formas como a arte Expressionista, arquitetura Bauhaus e música atonal. Em 1930, Rosenberg tornou-se um membro nacional socialista do parlamento e publicou sua história cultural Mythus des zwanzgsten Jahrhunderts, o qual ele designou como uma continuação de Die Grundlagen des neuzehnten Jahrhunderts (1899) de Chamberlain. Em 1933, depois da ascensão de Hitler ao poder, Rosenberg foi nomeado líder do departamento de política estrangeira do NSDAP, mas ele não exerceu muita influência nesta posição. Em 1934, ele foi colocado no cargo de educação intelectual e filosófica do NSDAP.  

            Durante a guerra, em julho de 1940, foi estabelecida a Einsatztab Reichsleiter Rosenberg (Força Tarefa Rosenberg) a qual foi responsável pela coleção de material de arte que eram considerados por direito pertencendo ao Reich Alemão Europeu. Em 1941, depois da invasão da URSS, Rosenberg obteve uma nomeação ministerial, como Ministro dos Territórios Ocupados no Leste, embora ele adentrou em conflito com o brutal Gauleiter Erich Koch que foi feito Reichskommissar da Ucrânia[4]. No fim da guerra, em maio de 1945, Rosenberg foi capturado pelas tropas aliadas e julgado em Nuremberg. Diferente de Albert Speer, ele não pleiteou culpa e recusou distanciar-se ele próprio do Nacional Socialismo – mesmo embora ele tinha claramente se oposto a muitos das personalidades líderes, especialmente Goebbels, Bormann e Himmler, que tinham muito mais influência em Hitler e consequentemente muito maior poder executivo no Reich. Rosenberg foi considerado culpado pelo Tribunal de Nuremberg e enforcado em 16 de outubro de 1946.

            Em suas memórias chamadas Letzte Aufzeichnungen (Notas finais), escrito durante seu aprisionamento entre 1945 e 1946, Rosenberg descreveu o movimento inteiro Nacional Socialista como uma resposta para a questão judaica:
O Nacional Socialismo foi uma resposta europeia para uma velha questão centenária. Foi a mais nobre das ideias para a qual a Alemanha poderia dar toda sua força. Ele deu a nação alemã um dom de unidade, ele deu ao Reich Alemão um novo conteúdo. Foi uma filosofia social e um ideal de limpeza cultural condicionada pelo sangue. O Nacional Socialismo foi maltratado, e no fim desmoralizado, por homens para quem seu criador tinha a mais fielmente dado sua confiança. O colapso do Reich é historicamente ligado com isto. Mas a ideia própria foi ação e vida, e que não pode e não irá ser esquecida. Conforme outras ideias conheciam alturas e profundezas, assim o Nacional Socialismo também irá renascer algum dia em uma nova geração forjada na tristeza, e irá criar em uma nova forma um novo Reich para os alemães. Historicamente amadurecido, ele irá então ter fundido o poder da crença com o cuidado político. Em seu solo camponês  ele irá crescer das saudáveis raízes em uma árvore forte que irá dar sonoros frutos O Nacional Socialismo foi o conteúdo de minha ativa vida. Eu servi ele fielmente, embora com algum insuficiência desajeitada e humana. Eu irei permanecer fiel para ele tanto tempo quanto eu ainda viva[5].
            Enquanto pela questão judaica própria, ele explicou que:
A guerra contra a judiaria ocorreu por causa de que um povo alienígena em solo alemão arrogou a liderança política e espiritual do país, e acreditando ele mesmo triunfante, ostentou isso descaradamente. Hoje, todavia, o mero protesto contra tal fenômeno coloca qualquer um que o faça em um rótulo de diferenciação, entre estes campos opostos, sobre muita suspeita que ninguém ousa levantar a questão sem ser acusado de preparar outro Auschwitz. E ainda, a história não fica parada. As forças da vida e sangue existem e irão ser efetiva.

Tradução por Tannhauser


Notas


[1] Nota do autor: Hoje Tallinn, capital da Estônia.

[2] Nota do autor: Alfred Rosenberg, The Track of Jew throught the Ages, página 40, tradução de Alexander Jacob. São Bernardino, EUA, 2014.

[3] Nota do autor: A primeira edição de Die Spur des Juden im Wandel der Zeitel foi publicada em 1920 em Munique por Boepple (Deutscher Volsverlag). Eu tenho usado para minha tradução a edição levemente melhorada de Rosenberg  de 1937 a qual foi publicada pela Zentralverlag der NSDAP, Frans Eher Publishers, Munique.

[4] Nota do autor: No fim da guerra, Koch se escondeu e não foi encontrado pelas forças aliadas até maio de 1949. Ele f oi julgado e sentenciado a morte até 1959, embora sua sentença foi comutada para prisão perpétua, talvez por causa que os russos acreditavam que ele podia ter informação em relação a arte confiscada pelos nacional socialistas do Palácio Tsarskoe.

[5] Nota do autor: Memoirs of Alfred Rosenberg, tradução de Eric Posselt, Chicago: Ziff-Davis, 1949.




Fonte: Este texto está presente na introdução da tradução do alemão para o inglês feita por Alexander Jacob da obra de Alfred Rosenberg Die Spur des Juden im Wandel der Zeitel (The Track of Jew throught the Ages).

Sobre o autor: Dr. Alexander Jacob recebeu seu bacharel em Literatura Inglesa e História Social na Universidade de Madras  em  1975, seu Master of Arts em Literatura Inglesa na Universidade de Leeds em 1977. Em 1987 recebeu seu doutorado, História das Ideias, na Universidade Estadual da Pensilvânia. Desde então o Dr. Jacob tem atuado em vários departamentos na Universidade de Toronto (Centro de Estudos da Reforma e Renascimento, Departamento de Filosofia, Centro de Estudos Religiosos, Departamento de Ciência Política, e Departamento de Inglês). Entre suas obras estão:

Nobilitas: A Study of European Aristocratic Philosophy from Ancient Greece to the Early Twentieth Century

Atman: A Reconstruction of the Solar Cosmology of the Indo-Europeans

Europa: German Conservative Foreign Policy 1870-1940

De Naturae Natura: A Study of Idealistic Conceptions of Nature and the Unconscious

The Origins of Indo-European Religion

            Também traduziu e fez introduções para entre outras obras:

Houston Stewart Chamberlain - Political Ideals

Edgar Julius Jung - The Rule of the Inferiour

Eugen Dühring - on the Jews

Alfred Rosenberg - Political Essays

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