Sua conscientização política

"Seria uma época de guerras cruéis em que novos césares surgiriam e em que uma elite de homens de aço, que não buscavam ganhos pessoais e felicidade, mas o cumprimento dos deveres para com a comunidade, tomaria o lugar dos democratas e dos humanitários" Hajo Holborn, explicando uma previsão de Oswald Spengler em A History of Modern Germany: 1840-1945; Princeton University Press, 1982. Página 658

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Wall Street & a Revolução Russa de março de 1917 – por Kerry Bolton


Kerry Bolton
“Não existe um movimento proletário, nem mesmo comunista, que não tenha operado em interesse do dinheiro, nas direções indicadas pelo dinheiro, e pelo tempo permitido pelo dinheiro – e sem idealistas entre seus líderes tendo o a mais leve suspeita do fato.” Oswald Spengler[1].


            A “Revolução Russa” (sic) é anunciada tanto na imaginação popular e pela academia como um triunfo do povo contra a tirana czarista, mesmo se a maioria concede que a visão utópica azedou, no mínimo com a eventual ditadura de Stalin. Contudo, uma olhada por trás das múltiplas fachadas da história mostra que a “Revolução Russa” foi uma de muitas reviravoltas que tem servido aqueles que fornecem o financiamento. Poucos – sejam leigos ou supostos “experts” – parecem questionar a respeito donde o dinheiro vem para financiar estas revoluções, e esperam que nós acreditemos que elas sejam “revoltas espontâneas do povo contra a opressão,” apenas como esperam que hoje nós acreditemos que a chamada “revolução colorida” na Ucrânia, Geórgia, Sérvia, etc... sejam “demonstrações espontâneas.” Este ensaio examina  o financiamento da Revolução Russa de março de 1917, então chamada Primeira Revolução que serviu como cena de abertura para os bolcheviques, e conclui que existiam forças trabalhando por trás das cenas, em cujos objetivos estavam fora o bem estar das massas.

            Março de 2010 marca o nonagésimo terceiro aniversário da (primeira) Revolução Russa, a qual serviu como o prelúdio para o golpe seguinte em novembro, conhecido como “Revolução Bolchevique”. A uma olhada além da ortodoxia mostra com ampla documentação que o socialismo, de uma social-democraica e fabianismo[2] para comunismo, tem geralmente “operado em interesse do dinheiro” conforme Spengler observou.

            O historiador e romancista Fabiano H. G. Wells, quando na Rússia em 1920 observou o ainda precário regime bolchevique, comentando sobre como os arque-capitalistas estavam já então indo para a embrionária república soviética negociar concessões comerciais[3], e escreveu:
... Os grandes negócios por nenhum meio são antipáticos ao comunismo. Quanto maior os grandes negócios crescem mais eles se aproximam do coletivismo. É o caminho superior dos poucos ao invés do caminho baixo das massas para o coletivismo[4]

O banquiro judeu Jacob Schiff  (1847 - 1920)
            Os grandes negócios viam no socialismo um meio tanto para a destruição das fundações tradicionais das nações e sociedades como um mecanismo de controle. No caso da Velha Rússia onde o estado baseava-se nas tradições monárquicas e rurais não era passível de ser aberto para exploração de negócios globais de seus recursos a cena foi montada para os levantes de 1917, desde 1905 na época da Guerra Russo-Japonesa, a qual desempenhou um papel significante na formação do quadro revolucionário russo[5]. O financiamento para a formação daquele quadro veio de Jacob Schiff, um sócio sênior da Kuhn, Loeb & Co., de Nova Iorque, que apoiava o Japão na guerra contra a Rússia[6].

            O indivíduo mais responsável por transformar a opinião americana, incluindo a opinião diplomática e do governo, contra a Rússia czarista foi o jornalista George Kennan[7], que era patrocinado por Schiff. Em uma coleção de ensaios sobre a diplomacia russo-americana, Cowley afirma que durante a Guerra Russo-Japonesa de 1904 – 1905 Keenan estava no Japão organizando os prisioneiros de guerra em ‘células revolucionárias’ e alegou ter convertido “52,000 soldados russos em ‘revolucionários’”. Cowley também adiciona, significantemente, “Certo tipo de atividade, bem financiada por grupos nos Estados Unidos, contribuiu pouco para a solidariedade russa americana.[8]

            A fonte dos grupos revolucionários “de grupos nos Estados Unidos” foi explicada por Kennan na celebração da Revolução Russa de março de 1917, conforme relatado pelo New York Times:
 O Sr. Kennan disse do trabalho do Friends of Russian Freedom {Amigos da Liberdade Russa na revolução}.
Ele disse que durante a Guerra Russo-Japonesa ele estava em Tóquio, e que lhe foi permitido fazer visitas entre os 12,000 prisioneiros russos em mãos japonesas ao fim do primeiro ano da guerra. Ele tem concebido a ideia de colocar propaganda revolucionária nas mãos do exército russo.
As autoridades japonesas favoreceram isso e deram a ele permissão. Após a qual ele enviou para a América toda a literatura revolucionária russa para se ter...
“O movimento foi financiado por um banqueiro de Nova Iorque que vocês todos conhecem e amam,” ele disse, se referindo ao Sr. Schiff, “e logo nós recebemos uma tonelada e meia de propaganda revolucionária russa. Ao fim da guerra 50,000 oficias e soldados voltaram para a casa como ardentes revolucionários. O Amigos da Liberdade Russa tem semeado 50,000 sementes de liberdade em 100 regimentos russos. Eu não sei quantos destes oficiais e homens estavam na fortaleza de Petrogrado na última semana, mas n[os sabemos que parte do exército tomou parte da revolução.”
Então foi lido um telegrama de Jacob H. Schiff, parte do qual é conforme segue: “Você irá dizer para mim daquele presente no encontro de hoje a noite o quão profundamente eu estou com pesar da minha incapacidade de celebrar com o Friends of Russian Freedom {Amigos da Liberdade Russa} a real recompensa do que nós temos esperado e se esforçado por estes longos anos.[9]
      A reação à revolução russa por parte de Schiff e de modo geral dos banqueiros nos EUA e Londres, foi de júbilo. Schiff escreveu entusiasticamente para o New York Times:

      


Posso eu através de suas colunas dar expressão para minha alegria que a nação russa, de um grande e bom povo, tem finalmente efetuada a libertação deles de séculos de opressão autocrática e através de uma revolução quase sem derramamento de sangue tem agora garantido seu próprio passo? Louvado seja Deus nas alturas! Jacob H. Schiff[10].






            Escrevendo para o The Evening Post em resposta para uma questão sobre o novo status revolucionário na Rússia em relação aos mercados financeiros mundiais, Schiff respondeu como chefe da Kuhn, Loeb & Co:


Respondendo para sua pergunta sobre minha opinião dos efeitos da revolução sobre as finanças russas, eu estou muito convencido que com a certeza do desenvolvimento dos enormes recursos do país, os quais, com os grilhões removidos de um grande povo, seguirão os acontecimentos presentes, a Rússia irá antes de longo tempo figurar entre as nações mais favorecidas nos mercados financeiros do mundo[11]

            Schiff respondeu refletindo a geral atitude dos círculos financeiros de Londres e Nova Iorque na época da revolução. John B. Young do National City Bank, que tinha estado na Rússia em 1916 em relação a um empréstimo dos EUA, afirmou, em 1917, sobre a revolução, que ela tinha sido discutida amplamente quando ele tinha estado na Rússia no ano anterior; Ele viu aqueles envolvidos como “sólidos, responsáveis e conservadores[12].” Na mesma edição, o New York Times relatou que houve um aumento nas transações de câmbio russas em Londres precedendo em 24 horas a revolução, e que Londres tinha conhecido sobre a revolução antes de Nova Iorque. O artigo relatou que os mais proeminentes líderes financeiros e líderes empresariais em Londres e Nova Iorque tinham uma positiva visão da revolução[13]. Outro relato afirma que enquanto tinha havido alguma inquietação sobre a revolução, “estas notícias eram por nenhum meio indesejáveis nos mais importantes círculos bancários.[14]

            Estes banqueiros e industriais são citados nestes artigos como vendo a revolução como algo capaz de eliminar as influências pró-germânicas no governo russo e como inclinados a seguir uma mais vigoroso curso contra a Alemanha. Ainda tais aparentes “sentimentos patrióticos” não podem ser considerados a motivação por trás do apoio plutocrático para a Revolução. Enquanto Max Warburg da casa bancária Warburg na Alemanha, aconselhava o Kaiser e enquanto o governo germânico organizou o financiamento e passagem segura de Lenin e sua comitiva da Suíça passando pela Alemanha indo para Rússia; seu irmão Paul[15] como associado de Schiff[16]cuidava dos interesses da família em Nova Iorque. O fator que estava por trás deste apoio para a revolução seja de Londres, Nova Iorque, Estocolmo[17], ou Berlim, era o dos tremendamente grandes recursos, em grande parte inexplorados que iriam se tornar disponíveis para os mercados financeiros do mundo, os quais tinham até então sido negados sob o controle do Czar. Devem ser tido em mente que estas dinastias bancárias eram – e são – não meramente bancos nacionais ou locais, mas sim internacionais e não possuem lealdade para qualquer nação em particular, a não ser que a nação passe a estar atuando no interesse deles em um determinado momento[18]

Tradução por Tannhauser


Fonte: Ab Aeterno: Journal of the Academy of Social and Political Research, no. 2, March 2010



Notas


[1] Nota do autor: Oswald Spengler, The Decline of The West, 1918, 1926 (London: G. Allen & Unwin, 1971), vol. 2, página 402.

[2] Nota do autor: A Sociedade Fabiana apresenta em seu escudo de armas um lobo em pele de cordeiro. Proeminente entre os membros fundadores estavam literatos tais como H. G. Wells e G. B. Shaw. Os fabianos fundaram a London School of Economics and Political Science como uma academia de treino para a futura elite governante em um estado coletivista. De acordo a co-fundadora Beatrice Webb, o financiamento para isto veio de Sir Ernst Cassel da Vickers armamentos e da Kuhn, Loeb & Co, Nova Iorque; e os Rothschild, et al. (K. R. Bolton, Revolution From Above: Manufacturing “Dissent” in the New World Order (Londres: Arktos, 2011), capítulo  “Revolution By Stealth”.

[3] Nota do autor: Washington A. Vanderlip estava na Rússia na mesma época que Wells, negociando concessões com o regime soviético, sendo bem sucedido.

[4] Nota do autor: H. G. Wells, Russia in the Shadows, capítulor VII, “The Envoy.” Wells foi para a Rússia em setembro de 1920 à convite de Kamenev, da Russian Trade Delegation em Londres, um dos líderes do regime bolchevique. Russian in the Shadows apareceu como uma série de artigos no The Sunday Express.

[5] Nota do autor: A monarquia russa e o campesinato russo eram ambos considerados historicamente coisa do passado pelos estabelecimentos financeiros ocidentais na mesma maneira que em nosso tempo os fazendeiros do campesinato africano são considerados coisa do passado e o sistema de apartaid entravou a globalização da economia da África do Sul. Como em março e novembro de 1917 nas revolução russas, a revolução ostensiva “negra” na África do Sul eliminou o anacronismo africano e sob o “socialismo” tem privatizado as parastatals (as companhias de utilidades de propriedade do estado) e privatizado a economia.

[6] Nota do autor: “Jacob Schiff,” Dictionary of American Biography, volume XVI, página 431. Schiff deu um empréstimo de $200,000,000 para os agressores japoneses, pelo qual ele foi condecorado pelo Imperador Japonês.

[7] Nota do autor: Robert Cowley, “A Year in Hell,” America and Russia: A Century and a Half of Dramatic Encounters, ed. Oliver Jensen (New York: Simon and Schuster, 1962), páginas. 92-121. A nota introdutória para o capítulo indica a natureza da influência de Kennan: “Um jornalista americano, George Kennanm tornou-se o primeiro a revelar os plenos horrores do exílio siberiano e a butal estudada inumanidade da ‘justiça czarista’” Cowley cita o historiador Thomas A. Bayley se referindo sobe Kennan: “Nenhuma pessoa fez mais para causar ao povo dos Estados Unidos a virar-se contra os seus supostos benfeitores do passado.” (Uma referência ao apoio czarista para a União durante a Guerra Civil Americana) Mesmo livro página 118.

[8] Nota do autor: Robert Cowley, “A Year in Hell,” America and Russia: A Century and a Half of Dramatic Encounters, ed. Oliver Jensen (New York: Simon and Schuster, 1962), página 120.

[9] Nota do autor: New York Times, 24 de março de 1917, páginas 1-2.

[10] Nota do autor: Jacob H. Schiff, “Jacob H. Schiff Rejoices, By Telegraph to the Editor of the New York Times,” New York Times, 18de março de, 1917.

[11] Nota do autor: “Loans easier for Russia,” The New York Times, 20 de março de 1917.

[12] Nota do autor: “Is A People’s Revolution.” The New York Times, 16  de março de 1917.

[13] Nota do autor: “Bankers here pleased with news of revolution,” The  New York Times, 16  de março de 1917.

[14] Nota do autor: “Stocks strong – Wall Street interpretation of Russian News,” The  New York Times, 16  de março de 1917.

[15] Nota do autor: Paul Warburg, antes da emigração para os EUAm tinha sido decorado pelo Kaiser em 1912.

[16] Nota do autor: Paul Warburg era também cunhado de Schiff.

[17] Nota do autor: Olaf Achberg, da Nye Banken, Estocolomo estava servindo como conduto para financiamento entre os banqueiros internacionais e os bolcheviques.

[18] Nota do autor: Por exemplo, que lealdades nacionais ou imperiais pode uma dinastia bancária, tal como os Rothschild possuir, quando eles tem ramificações dos bancos da família em Londres, Paris, Frankfurt e Berlim? A mesma questão aplica-se para tais bancos, e em nossa época para as corporações transnacionais.





Sobre o autor: Kerry Raymond Bolton (nascido em 1956, em Wellington, Nova Zelândia) é formado em Psicologia, com pós-graduação em Sociologia, em Estudos Bíblicos e em Teologia Histórica. É colaborador do Foreign Policy Journal ( http://www.foreignpolicyjournal.com/ ), The Occidental Quarterly, Journal of Social, Political, and Economic Studies, entre outros.

http://www.academy-of-social-and-political-research.com/fellows-and-members.php     


      Bolton é proprietário das editoras Renaissance Press e Spectrum Press. Entre seus principais livros estão: Revolution from Above (2011); Stalin: The Enduring Legacy (2012); Babel Inc. Multiculturalism, Globalisation, and the New World Order (2013); The Banking Swindle: Money Creation and the State (2013); Zionism, The Psychotic Left (2013) e  Islam and the West (2015).

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Um comentário:

  1. uma raça movida por instintos fisicos carnais, ganancia e poder, drogas e dinheiro, se antes já tinham tanto poder em mãos, como devem estar hoje ? quais são seus planos ? neste momento devem estar reunidos entre familias que tem no sangue as mais antigas geneticas judaicas, e ali devem estar vendo o globo e controlando o gado, textos interessantes que achei em um blog, (se a ti não for novidade é claro)

    https://judaismoemaconaria.blogspot.com.br/2013/01/o-demonio-e-os-judeus.html

    https://judaismoemaconaria.blogspot.com.br/2005/07/uma-breve-histria-do-sistema-bancrio.html

    "Deixe-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e eu não me preocupo com quem escreva as leis" (Amshall Rothschild)

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