Sua conscientização política

"Seria uma época de guerras cruéis em que novos césares surgiriam e em que uma elite de homens de aço, que não buscavam ganhos pessoais e felicidade, mas o cumprimento dos deveres para com a comunidade, tomaria o lugar dos democratas e dos humanitários" Hajo Holborn, explicando uma previsão de Oswald Spengler em A History of Modern Germany: 1840-1945; Princeton University Press, 1982. Página 658

sábado, 7 de fevereiro de 2015

O que a ciência diz sobre raça e genética - Por Nicholas Wade

 09/05/2014

O ex-editor de ciência do New York Times em pesquisa mostrou que a evolução não parou quando a história humana começou.


Nicholas Wade
Uma ortodoxia de longa data entre os cientistas sociais sustenta que as raças humanas são uma construção social e não tem nenhuma base biológica. Um relacionado pressuposto é que a evolução humana parou num passado distante, há tanto tempo atrás que as explicações evolutivas nunca precisam ser consideradas por historiadores ou economistas.

Na década desde a codificação do genoma humano, uma crescente riqueza de dados tem feito claro que estas duas posições, mais do que nunca, são simplesmente incorretas. Existem de fato uma base biológica para raça. E isso está agora além da dúvida que a evolução humana é um contínuo processo que tem procedido vigorosamente nos últimos 30,000 anos e quase certamente – embora seja difícil mensurar evolução muito recente – através do período histórico e prosseguindo até nossos presentes dias.

Novas análises do genoma humano tem estabelecido que a evolução humana tem sido recente, abundante, e regional. Biologistas perscrutando o genoma em busca de evidências de seleção natural tem detectado sinais de muitos genes que tem sido favorecidos pela seleção natural em recente passado evolucionário. Não menos que 14% do genoma humano, de acordo para uma estimativa, tem mudado sobre este recente pressão evolucionária.

A análise de genomas ao redor do mundo estabelece que existe uma base biológica para raça, a despeito das afirmações oficiais para o contrário de líderes das organizações das ciências sociais. Uma ilustração do ponto é o fato que com populações de raças misturadas, tais como americanos africanos, os geneticistas podem agora rastrear ao longo do tempo um genoma individual, e atribuir cada segmento para um ancestral africano ou americano, um exercício que iria ser impossível se raça não tivesse alguma base em realidade biológica.

Racismo e discriminação são errados como questão de princípio, não de ciência. Disto isto, é difícil ver qualquer coisa na nova compreensão de raça que dê munição para racistas. O inverso é o caso. A exploração de genomas tem mostrado que todos humanos, qualquer que seja a raça deles, compartilham o mesmo conjunto de genes. Cada gene existe em uma variedade de alternativas formas conhecida como alelos {por exemplo, um alelo, chamado de dominante, faz uma característica do organismo se expressar, enquanto seu alelo, o não dominante, não expressa tal característica}, então alguém pode supor que raças têm distintivos alelos, mas mesmo isso não é o caso. Uns poucos alelos têm distribuições altamente distorcidas, mas estas não são suficientes para explicar as diferenças entre as raças. A diferença entre as raças parece repousar na sutil questão de relativas frequências de alelos. O esmagador veredito do genoma é declarar a básica unidade da humanidade.


Genética e comportamento social

            A evolução humana tem não somente sido recente e extensiva, ela tem também sido regional. O período de 30,000 para 5,000 anos atrás, do qual os sinais da recente seleção natural pode ser detectada, ocorreu após a divisão das três maiores raças, representa a seleção que tem ocorrido em grande parte independentemente dentro de cada raça. As três principais raças são os africanos (aqueles que vivem ao sul do Saara), asiáticos do Leste (chineses, japoneses e coreanos), e caucasianos (europeus e pessoas do Oriente Médio e subcontinente indiano). Em cada uma destas raças, um diferente conjunto de genes tem sido mudado pela seleção natural. Isto é apenas o que seria esperado de populações que tem de se adaptar a diferentes mudanças em cada continente. Os genes especialmente afetados pela seleção natural controlam não somente esperadas características como a cor da pele e metabolismo nutricional, mas também alguns aspectos da função cerebral. Embora o papel destes genes selecionados não seja ainda compreendido, a obvia verdade é que os genes afetando o cérebro são tão sujeito a seleção natural como é qualquer outra categoria de genes.

            Qual poderia ser o papel destes genes do cérebro favorecidos pela seleção natural? Edward O. Wilson foi atacado por dizer em seu livro de 1975, Sociobiology, que os humanos têm muitos instintos sociais. Mas subsequente pesquisa tem confirmado a ideia de que nós somos inerentemente sociáveis. Desde nossos primeiros anos nós queremos pertencer a um grupo, conformar-se com suas regras e punir aqueles que violam elas. Posteriormente, nossos instintos inclinam-nos a fazer julgamentos morais e defender nosso grupo, mesmo com o sacrifício da própria vida.

            Qualquer coisa que tem uma base genética, tal como estes instintos sociais, podem ser variados pela seleção natural. O poder de modificar os instintos sociais é mais visível no caso das formigas, os organismos que, junto com os humanos, ocupam os dois pináculos do comportamento social. Sociabilidade é rara na natureza porque para fazer um trabalho em sociedade os indivíduos devem moderar os instintos egoístas deles e tornarem-se no mínimo parcialmente altruístas. Mas uma vez que as espécies sociais tem vindo a existência, ela pode rapidamente explorar e ocupar novos nichos apenas por fazer ajustes menores em comportamento social. Assim, ambas formigas e seres humanos tem conquistado o mundo, embora, felizmente, em diferentes escalas.

            Convencionalmente, estas diferenças sociais são atribuídas unicamente à cultura. Mas isto é assim, por que é aparentemente tão difícil para sociedades tribais como Iraque ou Afeganistão mudar a cultura deles e operarem como estados modernos? A explicação pode ser que o comportamento tribal tenha bases genéticas. Já é conhecido que um sistema genético, baseado no hormônio oxitocina, parecem modular o grau de confiança no grupo, e isto é uma forma que a seleção natural poderia ajustar o grau de comportamento tribal para mais ou para menos.

            Estruturas sociais humanas mudam tão lentamente e com tanta dificuldade conforme sugerem uma influência evolucionária no trabalho. Modernos humanos viveram por 185,000 anos como caçadores e coletores antes de se estabelecerem em comunidades fixas. Colocando um teto sobre a cabeça e sendo apto a possuir mais que alguém poderia carregar parece uma mudança obvia. O fato de que isso tenha levado tanto tempo sugere que uma mudança genética no comportamento social humano requereu e levou muitas gerações para evoluir.

            Tribalismo parece ser o modo padrão inicial de organização política humana. Ele pode ser altamente efetivo: O maior império terrestre do mundo, o dos mongóis, foi uma organização tribal. Mas tribalismo é difícil de abandonar, novamente sugerindo que uma mudança evolucionária pode ser requerida.

            As várias raças tem evoluído há longo tempo substancialmente em trilhas paralelas, por causa que elas têm feito isso tão independente, não é surpreendente que elas tem feito estas duas transições cruciais na estrutura social em diferentes momentos. Caucasianos foram os primeiros a estabelecer comunidades fixas, em aproximadamente 15,000 anos atrás, seguidos pelos asiáticos orientais e pelos africanos. China, a qual desenvolveu o primeiro estado moderno, dissolveu o tribalismo dois milênios atrás, a Europa fez isso somente mil anos atrás, e populações no Oriente Médio e África estão ainda atravessando este processo.

            Dois casos de estudo, um o da Revolução Industrial e outro a partir das realizações cognitivas dos judeus, fornecem evidências adicionais da ação da evolução na formação do comportamento social em um passado recente.


A transformação comportamental atrás da Revolução Industrial

            A essência da Revolução Industrial foi um salto de produtividade na sociedade. Até então, quase todos a não ser a nobreza viveu um ou dois graus acima da fome. Este existência em nível de subsistência foi uma característica das economias agrárias, provavelmente a partir da época que foi inventada.

Thomas Malthus (1766 - 1834)
            A razão para esta estagnação econômica não foi a carência de inventividade: A Inglaterra dos anos 1700 possuía barcos a vela, armas de fogo, o sistema de imprensa, e agrupamentos inteiros de tecnologias não sonhadas pelos caçadores e coletores. Mas estas tecnologias não traduziram-se em melhores padrões de vida para a média das pessoas. A razão foi um círculo vicioso da economia agrária, chamada de armadilha malthusiana, após Thomas Malthus. Em seu ensaio de 1798, Essay on the Principle of Population, Malthus observou que cada vez que a produtividade melhorava e a comida tornava-se mais abundante, mais crianças sobreviviam e alcançavam a maturidade, e estas bocas extras devoravam o excedente. Dentro de uma geração, todas pessoas voltavam a viver ao nível de inanição.

            Malthus, estranhamente, escreveu seu ensaio no momento exato quando a Inglaterra, seguida depois pelos outros países europeus, estavam prestes de escapar da armadilha malthusiana. A escapatória consistia de um aumento substancial na eficiência de produção que trabalhadores extras aumentariam os rendimentos ao invés de contrai-los.

Kenneth Pomeranz
            Este desenvolvimento, conhecido como a Revolução Industrial, é o evento marcante na história econômica, ainda que historiadores da economia dizem que não têm alcançado nenhum acordo sobre a forma de explicar ela. “Muito da moderna ciência social originou em esforços dos europeus em fins do século XIX e no século XX para compreenderem o que fez o caminho de desenvolvimento único da Europa ocidental; ainda que estes esforços não tenham reunido consenso,” escreve o historiador Kenneth Pomeranz. Alguns especialistas argumentam que demografia foi o real fator. Europeus escaparam da armadilha malthusiana ao restringir a fertilidade através de métodos como o casamento tardio. Outros citam mudanças institucionais, tal como o início da moderna democracia inglesa, a asseguração dos direitos privados, o desenvolvimento dos mercados competitivos, ou patentes que estimularam invenção. Ainda outros pontuam o crescimento do conhecimento a partir do Iluminismo dos séculos XVII e XVIII ou a fácil disponibilidade de capital.


Gregory Clark
            Esta pletora de explicações e o fato que nenhuma delas é satisfatória para todos os especialistas apontam fortemente para a necessidade por uma totalmente nova categoria de explicação. O historiador de economia Gregory Clark tem providenciado uma ao ousar olhar uma possibilidade plausível ainda não examinada: que a produtividade aumentou por causa que a natureza do povo tinha mudado.

            A proposta de Clark é um desafio para o pensamento convencional porquê os economistas tendem a tratar as pessoas em todos os lugares como unidades idênticas e intercambiáveis. Uns poucos economistas tem reconhecido a não plausibilidade desta posição e têm começado a perguntar se a natureza das unidades humanas humildes que produzem e consomem todos bens e serviços de um economia podem possivelmente ter alguma influência sobre sua performance. Eles têm discutido a qualidade humana, mas por isto eles têm usualmente querem dizer apenas educação e treinamento. Outros têm sugerido que cultura pode explicar por que algumas economias têm um desempenho muito diferente de outras, mas sem especificar que aspectos da cultura eles têm em mente. Ninguém tem ousado dizer que cultura pode incluir uma mudança evolucionária no comportamento – mas nem eles excluem explicitamente esta possibilidade.

Para apreciar os antecedentes da ideia de Clark, deve-se retornar para Malthus. O ensaio de Malthus teve um profundo efeito sobre Charles Darwin. E foi de Malthus que Darwin derivou o princípio da seleção natural, o mecanismo central na teoria da evolução. Se pessoas estavam lutando no limite da inanição competindo para sobreviver, então a mais leve vantagem seria decisiva, Darwin imaginou, e o possuidor poderia legar esta vantagem para seus filhos. Essas crianças e seus descendentes iriam prosperar enquanto outros iriam ter perecido.

“Em outubro de 1838, ou seja, quinze meses após eu ter começado minha pesquisa sistemática,” Darwin escreveu em sua autobiografia, “E eu ter, por entretenimento, lido Malthus sobre a Population, e estar bem preparado para apreciar a batalha pela existência a qual em toda parte prossegue a partir da observação longamente observada sobre os hábitos dos animais e plantas, isso de uma vez atingiu-me que sobre estas circunstâncias as variações favoráveis iriam tender a serem preservadas, e as desfavoráveis a serem destruídas. O resultado disto seria a formação de novas espécies. Aqui então eu tinha, no mínimo, uma teoria pela qual trabalhar.”

Dada a justeza da teoria de Darwin, existe nenhuma razão para duvidar que a seleção natural estava trabalhando na população inglesa que forneceu a evidência para isso. A questão é apenas a de quais características estavam sendo selecionadas.


As quatro características chaves

Clark tem documentado quatro comportamentos que regularmente mudaram na população da Inglaterra entre 1200 e 1800, assim como um mecanismo altamente plausível de mudança. Os quatro comportamentos são aqueles de violência interpessoal, alfabetização, a propensão a economizar, e a propensão para trabalhar.


Walter Mischel
         As taxas de homicídio para o sexo masculino, por exemplo, declinaram de 0.3 por mil em 1200 para 0.1 em 1600 e para cerca de um décimo deste em 1800. Mesmo a partir do início deste período, o nível de violência pessoal era bem inferior àquele das sociedades modernas de caçadores e coletores. Taxas de 15 assassinatos por mil homens tem sido registradas no povo de Aché do Paraguai. 
A jornada de trabalho constantemente aumentou através do período, e as taxas de juros caíram. Quando a inflação e risco são subtraídos, uma taxa de juros reflete a compensação que uma pessoa irá exigir por adiar o consumo de um bem no presente para uma data futura. Economistas chamam isso de atitude time {atitude preferencial em relação ao tempo}, e psicólogos chamam isso de gratificação adiada. Crianças, que são geralmente não tão boas em adiar a gratificação, são ditas ter um tempo de preferência imediato. Em seu celebrado teste do marshmallow, o psicólogo Walter Mischel testou jovem crianças conforme a preferência delas para receber um marshmallow agora ou dois quinze minutos depois. Esta simples decisão acabou por ter consequências de longo alcance: Aqueles aptos a suportar a espera por uma maior recompensa tiveram uma maior pontuação de SAT e maior competência social posteriormente, no futuro, em suas vidas. Crianças têm um high time preference {tempo de preferência} muito imediato, o qual diminui conforme eles envelhecem e desenvolvem mais autocontrole. Americanos de seis anos de idade, por exemplo, tem um high time preference {tempo de preferência} de 3% ao dia, ou 150% ao mês; isto é a recompensa extra que eles devem ter que receber para adiar a gratificação instantânea. O tempo de preferência é também alto entre os caçadores e coletores.

As taxas de juros, a qual reflete as preferências da sociedade em uma época, tinham estado muito alta – cerca de 10% – desde os primeiros tempos históricos e para todas as sociedades desde 1400 d.C., para os quais existem dados. As taxas de juros então entraram em um período de constante declínio, alcançando aproximadamente 3% em 1850. Por causa da inflação e outras pressões nas taxas de juros estarem em grande parte ausentes, Clark argumenta, que a queda das taxas de juros indicam que as pessoas estavam se tornando menos impulsivas, mais pacientes, e mais dispostas para poupar.

Estas mudanças comportamentais na população inglesa entre 1200 e 1800 foram crucial importância econômica. Eles gradualmente transformaram uma violenta e indisciplinada população camponesa numa eficiente e produtiva força de trabalho. Dirigindo-se pontualmente para o trabalho todos os dias e suportando oito horas ou mais de repetitivo trabalho é algo longe de ser um comportamento humano natural. Caçadores e coletores não abraçam voluntariamente tais ocupações, mas sociedades agrárias desde o começo delas demandam a disciplina para trabalho nos campos e para plantar e colher nas épocas corretas. Comportamentos disciplinados estavam provavelmente evoluindo gradualmente dentro da população agrária inglesa por muitos séculos antes de 1200, o ponto no qual eles podem ser documentados.

Clark tem descoberto um mecanismo genético através do qual a economia malthusiana pode ter forjado estas mudanças na população inglesa: o rico tem mais crianças sobreviventes do que tem o pobre. De um estudo dos testamentos feitos entre 1585 e 1638, ele encontra que os predecessores com 9£ ou menos para deixar para seus herdeiros tinham, em média, no máximo duas crianças. O número de herdeiros levantou constantemente conforme elevaram-se os bens ativos/herdáveis, de modo que o homem com mais que 1,000£ em seus bens herdáveis. Que formaram a mais rica classe de concentradores de renda, deixaram no mínimo quatro filhos.

A população inglesa foi bastante estável em tamanho de 1200 até 1700, significando que se os estavam tendo mais crianças que os pobres, a maioria das crianças ricas tiveram de afundar na escala social, dado que existiam também muitos deles para permanecer na classe superior.

A ascendência social deles tinha a consequência genética de longo alcance que eles traziam em si como herança referente aos mesmos comportamentos que tinham feitos os pais deles ricos. Os valores da classe média alta – não-violência, alfabetização, parcimônia, e paciência – eram assim infundidos em classes econômicas mais baixas e através da sociedade. Geração após geração, eles gradualmente tornaram-se os valores da sociedade como um todo. Isto explica a diminuição constante na violência e o aumento constante na alfabetização que Clark tem documentado para a população inglesa. Ainda mais, os comportamentos emergiram gradualmente sobre vários séculos, um curso de tempo mais típico de uma mudança evolucionária que uma mudança cultural.

Num sentido mais amplo, estas mudanças no comportamento foram apenas algumas das muitas que ocorreram conforme a população inglesa adaptou-se para uma economia de mercado. Mercados requeriam preços e símbolos e alfabetização recompensada, habilidades matemáticas, e aqueles que poderiam fazer pensar em meios simbólicos. “As características da população estavam mudando através da seleção Darwiniana,” escreve Clark. “A Inglaterra encontrou-se ela mesmo na vanguarda por causa de sua longa e pacífica história que remonta, no mínimo, à 1200 e provavelmente muito antes. A cultura da classe média espalhou-se por toda a sociedade através de mecanismos biológicos.”

 Os historiadores econômicos tendem a ver a Revolução Industrial como um evento relativamente súbito e a tarefa deles como sendo descobrir as condições históricas que precipitaram esta imensa transformação de vida econômica. Mas profundos eventos são propensos a ter profundas causas. A Revolução Industrial foi causada não por eventos do século anterior, mas por mudanças no comportamento econômico humano que tinham sido lentamente evoluídas nas sociedades agrárias através dos 10,000 anos anteriores. 

Isto, obviamente, explica porquê as práticas da Revolução Industrial foram adotadas tão facilmente por outros países da Europa, pelos Estados Unidos, e Ásia oriental, todos estes, cujas populações haviam estado vivendo em economias agrárias e evoluindo por milhares de anos sobre as severas restrições do regime malthusiano. Nenhuma única mudança de recursos ou mudança institucional – a usual suspeita na maioria das teorias da Revolução Industrial – é propensa a ter se tornado efetiva em todos estes países por volta de 1760, e na verdade nenhuma delas ocorreu.

Isso deixa as questões de por que a Revolução Industrial foi percebida como súbita e porquê ela emergiu primeira na Inglaterra ao invés de muitos outros países onde as condições estavam mais maduras. A resposta de Clarck para ambas questões reside no súbito crescimento da população inglesa, a qual triplicou entre 1770 e 1860. Foi esta alarmante expansão que levou a Malthus escrever seu ensaio pressagioso sobre a população.

Ao contrário da previsão pessimista de Malthus sobre um acidente da população induzida pelo vício e pela fome, o qual teria sido verdade em qualquer estágio prévio da história, os rendimentos nesta ocasião, levantaram a primeira fuga da economia em relação a armadilha malthusiana. Trabalhadores ingleses contribuíram para este surto, Clark secamente observa, tanto pelo trabalho deles em seus lares como no chão da fábrica.

Os dados de Clark fornecem substancial evidência que a população inglesa respondeu geneticamente as severas tensões de um regime malthusiano e que as mudanças em seu comportamento social de 1200 à 1800 foram moldadas pela seleção natural. O ônus da prova é seguramente deslocado para aqueles que querem afirmar que a população inglesa foi miraculosamente isenta das várias forças da seleção natural que cuja existência tinha Darwin sugerido.


Explicando o QI asquenaze

          Um segundo exemplo muito recente de evolução humana pode bem estar em evidência nos judeus europeus, particularmente, os asquenazes do norte e do centro da Europa. Em proporção a sua população, os judeus têm feito contribuições desproporcionais para a civilização ocidental. Uma métrica simples é aquela de prêmios Nobel: embora os judeus constituem somente 0,2% da população do mundo, eles venceram 14% dos prêmios Nobel na primeira metade do século XX, 29% na segunda metade e até agora 32% no presente século. Existe alguma coisa aqui que requer explicação. Se o sucesso judeu foi puramente cultural, tal como pressão das mães ou um zelo pela educação, outros devem ter sido aptos também para copiar tais práticas culturais. É, portanto, razoável perguntar se as pressões genéticas na especial história dos judeus podem ter aumentado a capacidade cognitiva deles.


Maristella Botticini
Apenas tal pressão é descrita por dois historiadores econômicos, Maristella Botticini e Zvi Eckstein, no livro deles “The Chosen Few”. Em 63 ou 65 d.C., o sumo sacerdote Joshua bem Gamla decretou que cada pai judeu deveria enviar seus filhos para escola de modo que eles pudessem ler e compreender a lei judaica. Judeus naquele tempo ganhavam a vida deles principalmente pela agricultura, como todos os outros mais, e a educação era tanto cara como de pouco utilidade. Muitos judeus abandonaram o judaísmo para uma nova e menos rigorosa seita hoje conhecida como cristianismo.

Zvi Eckstein
Botticini e Eckstein não dizem nada sobre genética, mas evidentemente, se geração após geração os judeus menos aptos para adquirir a alfabetização tornaram-se cristãos, alfabetização e habilidades relacionada iriam em média ser aumentadas entre aqueles que permaneceram judeus.

              Como o comércio começou a se estabelecer na Europa medieval, os judeus como uma comunidade acabaram por ser o ideal para exercer o papel de comerciantes e agiotas da Europa. Num mundo onde a maioria das pessoas eram iletradas, os judeus podiam ler contratos, custodiar os contratos, avaliar garantias, e fazer as contas dos negócios. Eles formaram uma natural rede de comerciantes através de seus correligionários em outras cidades, e eles tiveram cortes rabínicas para resolver as disputas. Judeus moviam-se para a agiotagem não porquê foram forçados a fazer isso, conforme alguns relatos sugerem, mas porquê eles escolheram a profissão, dizem Botticini e Eckstein. Era arriscado, mas altamente rentável. Os mais aptos judeus prosperaram e, assim como no resto do mundo pré-século XIX, os mais ricos foram aptos a sustentar mais filhos sobreviventes. 

Henry Harpending
Gregory Cochrab
Como os judeus adaptaram-se para a demanda de um exigente nicho, as habilidades deles aumentaram para o ponto que a média do QI asquenaze dos judeus é, entre 110 e 115, os mais alto de qualquer grupo étnico. Os geneticistas populacionais Henry Harpending e Gregory Cochrab têm calculado que, assumindo uma alta herdabilidade de inteligência, o QI asquenaze pode te subido em 15 pontos em apenas 500 anos. Judeus asquenazes apareceram na Europa primeiro por volta de 900 d.C., e as habilidades cognitivas judaicas podem ter aumentado bem antes disso.

           A ascensão da alta habilidade cognitiva entre os asquenazes, se geneticamente baseada, é de interesse tanto em si como um exemplo da seleção natural formando uma população dentro de um passado muito recente.

A Resposta Adaptativa para diferentes sociedades

 A mão da evolução parece visível nas grandes transições da na estrutura social humana e nos dois casos de estudos descritos acima. Isto é naturalmente uma hipótese; a prova aguarda a detecção dos genes em questão. Se mudanças evolucionárias significativas podem ocorrer tão recentemente na história, outros maiores eventos podem ter componentes evolucionários. Um candidato é a ascensão do Ocidente, a qual foi proposta ser uma destacada expansão das sociedades europeias, ambas em conhecimento e influência geográfica, enquanto as duas maiores forças do mundo medieval, China e a casa do Islã, que ascenderam até ao redor de 1500 d.C., foram rapidamente ultrapassadas.

Em seu livro The Wealth and Poverty of Nations, o historiador econômico David Landes examina cada possível fator para explicar a ascensão do Ocidente e a estagnação da China e conclui, em essência, que a resposta reside na natureza das pessoas. Landes atribui o decisivo fator para cultura, mas descreve a cultura de tal modo que implique em raça.
“Se nós aprendemos alguma coisa da história do desenvolvimento econômico, é que cultura faz toda diferença,” ele escreve. “Prova disso o empreendimento de minorias expatriadas – a chinesa no Leste e Sudeste da Ásia, hindus na África oriental, libaneses na África Ocidental, judeus e calvinistas através de grande parte da Europa, e assim por diante. Ainda a cultura, no sentido de valores interiores e atitudes que guiam a população, assusta os estudiosos. Ela tem um odor sulfúrico de raça e herança, um ar de imobilidade.” 
Odor sulfúrico ou não, a cultura de cada raça é o que Landes sugere que tem feito a diferença no desenvolvimento econômico. Os dados recolhidos por Clark na diminuição das taxas de violência e aumento das taxas de alfabetização de 1200 à 1800 fornece alguma evidência para um componente genético na cultura e nas instituições sociais.


David Landes (1924 - 2013)
Embora dados equivalentes não existam para a população chinesa, a sociedade da China tem sido diferente por no mínimo 2,000 anos e intensa pressão sobre a sobrevivência teria adaptado os chineses para a sociedade deles assim como fizeram os europeus para as suas sociedades.

Carregam os chineses genes para o conformismo e o governo autoritário? Muitos europeus têm alelos que favorecem sociedades e o Estado de Direito? Obviamente isto é improvável ser o caso. Mas existe quase certamente um componente genético para a propensão por seguir as regras da sociedade e punir aqueles que violam elas. Se os europeus foram levemente menos inclinados para punir infratores e chineses um pouco mais inclinados, isto poderia explicar por que as sociedades europeias são mais tolerantes aos dissidentes e aos inovadores, e a sociedade chinesa é menos. Porque os genes que governam a postura de aceitação e a de punição dos infratores não têm ainda sido identificados, não se conhece ainda se estes, de fato, variam nas populações europeias e chinesas de acordo com o sugerido. A natureza tem muitos mostradores para torcer em diferentes intensidades os variado comportamento social humano e muitas maneiras diferentes de chegar à mesma solução.

Para a maior parte da história recordada, a civilização chinesa tem sido preeminente e é razoável assumir que a excelência das instituições chinesas descansam sobre uma mistura de cultura e comportamento social herdado.

A ascensão do Ocidente, também, é improvável ter sido apenas um acidente cultural. Como as populações europeias tornaram-se adaptadas ás condições militares e geográficas do habitat ecológico particular delas, elas produziram sociedades que rumaram para se tornarem mais inovadoras e produtivas que outras, pelo menos nas circunstâncias atuais.

Isso não significa, naturalmente, que europeus são superiores aos outros – um termo sem sentido em qualquer caso a partir da perspectiva evolucionária – mais que em relação ao que os chineses eram superiores aos outros povos durante o apogeu deles. A sociedade mais autoritária da China pode uma vez novamente provar ser mais bem sucedida, particularmente no surgir de algum severo estresse circundante.

As civilizações podem subir e descer, mas a evolução nunca cessa, razão porquê a genética pode desempenhar algum papel ao lado da poderosa força da cultura em moldar a natureza das sociedades humanas. A história e evolução não são um processo separado, com a evolução humana passando por cima violentamente de algum intervalo de tempo antes da história começar. Quanto mais nós somos aptos a perscrutar no genoma humano, mais parece que estes processos estão delicadamente entrelaçados.

Tradução por Tannhauser






Sobre o autor: Nascido na Inglaterra, em 1942, Nicholas Wade graduou-se em bacharel de Ciências Naturais no King’s College (Cambridge)[1] e depois obteve o mestrado. Foi vice-editor da revista Nature, e desde 1982, escritor da seção Science Times do jornal New York Times. Entre seus principais livros estão Betrayers of the Truth: Fraud and Deceit in the Halls of Science (1983), Before the Dawn: Recovering the Lost History of Our Ancestors (2006), The Faith Instinct (2009) e, seu mais recente trabalho, A Troublesome Inheritance: Genes, Race and Human History (2014).




[1] Nota do tradutor: The New York times, 28 de fevereiro de 1982.

3 comentários:

  1. A Verdade dos alimentos geneticamente modificados (transgenicos)
    Perdão estar fugindo um pouco do tema, porem conhecimento nunca é demais

    Um artigo publicado no International Journal of Biological Sciences mostrou que o consumo da semente modificada tem efeitos negativos principalmente sobre fígado e rim, órgãos ligados à eliminação de impurezas. O estudo francês revelou que os grãos do milho transgênico apontam claros sinais de toxidade. O biólogo molecular Gilles-Eric Séralini e sua equipe puderam divulgar a pesquisa depois que um decisão judicial obrigou a Monsanto revelar sua própria análise dos grãos que manteve em sigilo impedindo que a informação se tornasse pública. Os franceses então divulgaram a comparação dos efeitos das sementes MON 863, NK 603 e MON 810 sobre a saúde de mamíferos, sendo as duas últimas permitidas no Brasil, bem como sementes resultantes do seu cruzamento. No caso do NK 603, os dados apontam perda renal e alterações nos níveis de creatinina no sangue e na urina, que podem estar relacionados a problemas musculares. É por esse motivo que os pesquisadores destacam que o coração foi afetado nos ratos alimentados com esta variedade. O quadro para o MON 810 não muda muito. Embora os machos em geral demonstrem maior sensibilidade a tóxicos, foram as fêmeas que apresentaram ligeiro aumento do peso dos rins, que pode corresponder a uma hiperplasia branda, geralmente presente quando associada a processos imunoinflamatórios.

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  2. ELES DIZEM QUE O PROTO BIPEDE JA EXISTIA HA CENTENAS DE MILENIOS MAS SABEMOS QUE OS MENOS ARCAICOS SURGIRAM NA EURASIA HA DEZENAS DE MILENIOS JUSTAMENTE A EPOCA QUE SURGIRAM OS PROTO EURASIANOS NÃO É MERA COINCIDENCIA

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